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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

O mundo é uma ervilha. E alguns sanitários também...

Tomei a consciência este fim de semana que passou de que cresci.

Não foi pelo facto de ter comparecido a mais uma festa infantil nestes novos espaços criados para o efeito. Nem foi sequer o facto de perceber que estou demasiado grande para brincar nos insufláveis ou ter a noção de que não tive direito a pipocas e batatas fritas.

Foi sentir-me discriminado. Eu e todos os adultos que lá estavam, porra!

Então não é que me deu o aperto na tripa e quando cheguei à casa de banho...era tudo mini???

Ok, vamos fazer uma pequena reflexão.

Gato Pardo. Felino para 72kg, 1,75cm. Corpo com medidas anatomicamente correctas.

Casa de banho do estaminé. 6 urinóis tamanho Playmobil e 3 sanitas mais pequenas que a probabilidade dos mexicanos votarem Donald Trump nas presidenciais americanas. What da f*ck???

Posso apenas dizer que tive de adoptar certas posições (bendito sejas, kamasutra) para as quais o corpo humano não foi concebido em espaços de tal forma reduzidos. Já não falando na pontaria. É que vejamos, no conforto do nosso lar ou em qualquer outra divisão de alívio criada para utilização de adultos, estamos à vontade. A probabilidade da coisa correr mal implica 3 dias de feijoada, 2 de grão e um fim de semana de outras leguminosas esquisitas. Aí sim, pode-se dar a ocorrência do chamado efeito granada artesanal. Ali? Meus caros, até um sniper tinha dificuldades em acertar no alvo sem causar danos colaterais. Não sou sniper, mas lá me consegui safar.

Indignado, fui falar com a gerente do espaço.

- Ouça lá, vocês têm a noção que as vossas casas de banho não foram concebidas para adultos?

- Sim, é verdade. Mas verdade seja dita, o nosso espaço é um espaço infantil. Logo, sanitários infantis...

- Ah, estou a ver... Bem, nesse caso a criança que existe em mim deixou-lhe um presente lá dentro (não era verdade, mas estava lixado da vida). Espaço infantil, certo? Logo, presentes têm toda a lógica...

Meus caros, uma recomendação. Se comparecerem em festas infantis, certifiquem-se de dois factores. Ou vão aliviados ou que os sanitários são adequados ao vosso tamanho. A criança que existe em mim viu-se à rasca.

 

 

Olha o gajo que esteve clinicamente morto!!!

Sim...

As primeiras palavras que o meu médico me disse hoje foram essas. Eu até nem me importaria muito se ele as tivesse dito dentro do consultório. Mas nããããão... Aquele pulha de meia tigela tinha de dizer aquelas sete palavrinhas numa sala de espera atolada de gente. Resultado? Metade daquela gente deve ter ficado a pensar que tomo Calcitrim às colheradas. Mas eu explico. Uns meses atrás, fui fazer análises de rotina. Nada de extraordinário, não fosse o laboratório em questão ter trocado os valores das análises por valores verdadeiramente absurdos. Enviei o mail da praxe ao médico (juntamente com meia dúzia de piadas porcas que envolvem o SNS) com as análises. Nem cinco minutos depois, recebo um mail escrito em CAPS LOCK.

"CONFIRMA DE IMEDIATO OS VALORES COM O LABORATÓRIO. SE ESTIVEREM CORRECTOS, SEGUE DE IMEDIATO PARA O HOSPITAL"

Em circunstâncias normais, tinha ficado em pânico. Mas eu não sou um gajo normal. Fui beber um café, fumar um cigarro, apreciar a vista da janela e liguei para o laboratório.

- Estou sim?

- Sim. Olhe, eu estive aí uns dias atrás a fazer umas analises que reencaminhei para o meu médico. O problema é que ele após uma análise cuidada das mesmas, diz que eu estou clinicamente morto. Ora bem, dada a impossibilidade de eu lhe estar a ligar estando em estado de decomposição avançada, era só para confirmar se vocês fizeram asneira da grossa.

- Hã...

- Amigo, isto é relativamente simples. Análises... Valores marados? Vocês fizeram m*rda. Valores correctos? Eu estou morto e você ganhou uma história dos diabos para contar aos seus filhos. No que é que ficamos?

- Pode-me dar os dados referentes às análises em questão e aguardar um pouco?

E fui colocado em espera. O que para um gajo que potencialmente estava morto, é deveras frustrante. Dez minutos depois, o homem lá deu sinal de vida (e o morto era eu...).

- Sr. Gato Pardo? Pois, realmente verifica-se que houve uma troca nos seus valores de referência das suas análises.

- A sério (modo sarcasmo very very on...)? Não me diga...

- Lamentamos que isso lhe tenha causado algum inconveniente.

- Não, nada disso... Acha? O meu médico achava que eu estava morto e a minha família já estava a fazer contas ao dinheiro que ia ganhar com a doação de órgãos. Inconvenientes? Nah... Deixe lá isso. Fiquem bem.

Lá confirmei com o meu médico que afinal de contas, ainda estava vivo (e que se ele se portasse bem, ainda lhe pagava um café na próxima visita) e com uma saúde de ferro.

A resposta dele?

"Divertiste-te com o pessoal do laboratório, não foi?"

Que imagem tão má que têm de mim. Não há como não ir arder no inferno...

Ao que parece...

...hoje é o Dia Internacional do Obrigado.

Por momentos pensei "porra, lá terei eu de ser obrigado a pagar as minhas dívidas, a sorrir a pessoas cuja ligação que tenho com elas é semelhante a uma estrela a ser engolida por um buraco negro (logo, desastrosa) ou a fazer de conta que até aprecio a escrita da Margarida Rebelo Pinto e a acho merecedora de um Nobel (de preferência espetado na testa e acoplado a uma betoneira desgovernada, a descer uma ravina de considerável inclinação). Mas não. É o Dia Internacional do Obrigado, porque simplesmente devemos agradecer às pessoas ou as coisas que fazem sentido na nossa vida. Nesse caso, vamos a isso.

- Devo um enorme obrigado aos meus amigos. Porquê? Basicamente porque o são. Porque é que são meus amigos? Não faço ideia. É daqueles mistérios tipo, o Gustavo Santos ser live coach quando com tanta linguagem gestual podia ser arrumador de aviões no aeroporto da Portela.

- Um sincero obrigado à MEO pelos 98843732847 canais em que não passa m*rda nenhuma de jeito. É da maneira que coloco a leitura e a escrita em dia.

- O meu obrigado às lojas dos chineses. Simplesmente por me terem proporcionado um momento hilariante dias atrás, quando alguém foi lá comprar um calendário de 2016 e depois apercebeu-se que faltavam dias. Well done.

- Agradeço tudo aquilo que passei até hoje. As boas decisões, as más e as respectivas consequências. Se mudava algo? Claro. Há sempre aqueles pequenos momentos que preferíamos que nunca tivessem ocorrido. Mas se colocar tudo na balança, os prós são substancialmente mais que os contras. Logo, não posso estar descontente com a pessoa que sou. Alguns dirão "pá, és uma besta" Quando quero, sou. É uma verdade. Outros dizem "és adorável". Também sou, quando quero. O álcool tem destas coisas. Outros dizem ainda "não sei se te odeie até à raiz do meu ser ou se te pague um café". É uma questão de gosto. Mas uma coisa, é certa. Não ajo de acordo com desejos de terceiros ou vontades alheias. Gosto demasiado de ser a besta que uns odeiam, o peluche fofinho que alguns embriagados acham que sou ou os indecisos que me deixam no Purgatório enquanto não se decidem.

- Agradeço profundamente a insanidade mental de algumas familiares que foram à faca e colocaram bolas de voleibol no peito. Tenho agora uma noção muito mais real do que significa ser a Ana Malhoa (tirando a parte de serem bombas latinas. Aquelas duas são alfacinhas, nascidas e criadas).

- Um sincero obrigado à generosidade dos meus amigos. Mas porra, já não consigo abrir o mail com tanta pornografia que vocês me mandam! E sim, eu já conhecia a Erica Fontes antes dela ser comparada a um naco de carne de vaca.

- E o meu obrigado aos meus imensos médicos. Aturam-me, riem-se das minhas piadas, lidam com o meu humor sarcástico quando lhes mando as minhas análises por mail com anexos (digamos) pouco convencionais e nada virados para a medicina e até são capazes de beber um copo comigo. Mais que médicos, alguns tornaram-se amigos.

Muitos mais agradecimentos ficam por fazer mas isso implicava dar um tom sério à conversa. E este blog é tudo menos sério.

To be Bowie...

Recordo-me da primeira vez que estive frente a frente com David Bowie.

Tinha 8 anos e como qualquer criança curiosa, deu-me para ir vasculhar aquele móvel de madeira negra que ficava por baixo do gira discos lá de casa. Entre Hendrix, Pink Floyd, Elton John, Janis Joplin entre tantos outros, lá estava ele. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Quem raio é David Bowie? Quem raio é Ziggy Stardust?

Embora estivesse estritamente proibido de tocar sequer no gira discos, lá desafiei a autoridade e meti o 33 rotações a rodar. E fez-se magia. Ao longo da minha vida disse várias vezes que ocasionalmente faz falta ao ser humano ser um pouco Bowie.

E o que é ser Bowie? É roçar o genial, único, desafiar o normal, criar o fantástico, dar a conhecer a nós mortais, o que pensamos nunca vir a existir.

O Camaleão foi tudo isso e muito mais. E agora? Como ficamos nós sem o seu génio, sem a sua capacidade de se reinventar constantemente?

Bowie partiu hoje aos 69 anos, 2 dias depois de lançar o seu último álbum, Blackstar. Ironia ou destino? Quero acreditar que foi desejo dele deixar uma última obra de arte (a juntar a todas as outras desde 1967) para deleite de todos aqueles que souberam e tiveram o privilégio de apreciar o percurso de um dos mais polivalentes artistas musicais (e não só) de sempre.

Foi um prazer conhecer-te, Bowie. E será sempre.

 

Será que as coisas serão diferentes? Por um breve instante, quase que acreditei. Quase...Faltou o quase...

2016 começou da mesma forma que o 2015.

Copo numa mão, cigarro na outra, álcool na figadeira e a plena convicção que há coisas que nunca mudam por muito que as pessoas afirmem a pés juntos que receberam a visita do anjo da guarda e foram ameaçadas de levar com uma bigorna nos cornos se não deixassem de ser os mesmos paspalhos que foram no ano anterior.

E lá está. É hoje dia 6 de Janeiro, a ressaca já passou mas as pessoas continuam tão filhas da p*ta como o eram 7 dias antes. Resumindo, mesmo que o Jorge Palma e o Paulo Gonzo não existissem ao cimo desta terra, continuaria a não existir álcool etílico em quantidade na superfície terrestre capaz de mudar certas pessoas.

Uns anos atrás, talvez me deixasse levar por promessas vazias. Mas o tempo traz-nos conhecimento. Aprendemos a ver para além do que os olhos nos permitem alcançar. E o que vemos é tudo menos bonito.

2016 vai ser um excelente ano, não tenho dúvidas disso. A dúvida que persiste é apenas na quantidade de café que vou ter de ingerir antes de dizer tudo que tem ficado por dizer a certas pessoas. Com os danos colaterais, depois lido.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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